Triângulo Mineiro / Entretenimento

História do rock nacional é relembrada ao som da Plebe Rude em Uberlândia

Apresentação dos roqueiros contou com sucessos, que se fazem atuais, mesmo após 30 anos de lançamento

Do R7 Triângulo 13-04-2015 as 16:32:00

Uma das bandas percursoras do movimento punk rock em Brasília nos anos 80, a Plebe Rude, fez uma única apresentação em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, na última sexta-feira (10).

Para um público seleto, a banda fez a galera pular ao som de vários sucessos, dentre eles, "Proteção" e "Até Quando Esperar", relembrou sucessos da Legião Urbana, e apresentou as novas canções do novo álbum "Nação Daltônica".

E foi assim, ao som do mais puro punk brasileiro, que a noite rolou e marcou a volta do grupo à Uberlândia, após mais de 20 anos. Essa espera fizeram os fãs catarem a cada acorde.

Após o show,  Philippe, vocalista e líder da banda, bateu um longo papo com o R7 Triângulo e falou sobre tudo. Sobre o começo da carreira, sobre os filmes que retratam o começo do rock em Brasília, sobre a música atual, o futuro e muito mais.

Mesmo com tanto tempo de estrada, a Plebe continua cheia de projetos, ainda para este ano, além do  álbum recém-lançado, a banda ainda pretende lançar um DVD com a Orquestra Sinfônica de Brasília, um livro com a história do grupo e mais um documentário. Vem muita coisa boa por aí aguardem.

Philippe também falou sobre o novo disco, "Nação Daltônica", que igualmente aos demais, tem músicas com letras impactantes e, mais uma vez, alertou sobre o sistema. " A gente está cantando essas coisas há 30 anos. Músicas que fizeram muito sucesso em rádio e, nessas manifestações, nossas letras são lembradas. Será que nós éramos videntes? Ou nada mudou no Brasil? A gente tem uma liberdade de fato, muito maior do que naquela época, mas parece que tem uma acomodação terrível", afirmou.

Esta acomodação é retratada no novo disco."São pessoas que não percebem a diferença entre política e entretenimento. Todo partido político fala de combate a corrupção e educação . As pessoas não percebem mais as nuanças. Então, o povo ficou daltônico, tanto faz, o entretenimento se não for sacramentado pela mídia, não vale nada", declarou o vocalista, que lamentou a estagnação cultural no Brasil.


Ele lembrou como era difícil fazer algo diferente em Brasília, já que a cidade foi projetada por setores, mas também salientou que naquela época, a população de Brasília não era natural da cidade e, sim composta por várias culturas. Isso aconteceu devido a migração de várias pessoas, de vários lugares diferentes do país, por conta da construção da cidade. "O som do rock em Brasília é um 'aborto', porque tentaram setorizar tudo e não conseguiram. Foi dessa coisa louca, de todas as junções e todas as culturas do Brasil, desse liquidificador cultural que surgiu o rock de Brasília", disse.

Essa história é retratada em filmes, um desses filmes foi "Somos Tão Jovens",que Philippe  classificou como um filme meio romantizado e "bobão", mas que de toda forma valeu. Para o líder do grupo, havia coisas muito mais interessantes para colocar na telona, porém não foi utilizada pela produção do longa-metragem. Uma dessas histórias, que segundo Philippe foi passada para direção, tem Renato Russo tomando frente em uma briga para defender ele.

" Tinha alguns playboys lá em Brasília, atrás de mim. Isso porque a gente sacaneava, muito, todo mundo, isso quando eu tinha 16 anos.  Aí tava a turma lá, o Renato, o pessoal do Capital, a Plebe, a Legião, todas as menininhas bonitinhas, que nos chamávamos de 'Panquecas' em volta,  quando os plauboys cercaram a gente e perguntaram por mim (Philippe).  Eu me escondi dentro de um carro,  o Loro, ex guitarrista do Capital Inicial, respondeu: 'somos todos Philippe'. Aí, os playboys gritaram, Ah é? Então, vamos fazendo fila que vai apanhar todo mundo. Nesse o momento, o Renato entrou no meio e falou ' somos todos minoria aqui, não vamos bater no Philippe, vamos bater no sistema'. Aí, o playboy, com o dedo no peito do Renato disse, então seu nome é 'Sistema'e bateu nele", contou descontraído o vocalista da Plebe

O vocalista também comentou sobre a facilidade de se consumir a arte, de uma forma em geral nos dias atuais, através da internet. O músico reforçou a ideia da vulgarização. "A música é um pano de fundo para navegar no facebook". E lembrou também, o tanto que era difícil ter acesso a discos, ao teatro e ao cinema nos anos 80, na capital federal, e, por isso, a arte era mais valorizada. Sobre este sucesso instantâneo, o vocalista deixou um recado. "Da mesma maneira que vem, vai", enfatizou.

  • espalhe por ai


publicidade




Slider 02
publicidade